ANÁLISE – HORIZON: ZERO DAWN

Published On 1 de Março de 2017 | By Netweb |

Uma aventura transformada em arte!

Longe vai o sucesso de uma série como Killzone. Tinha-se que mudar a atitude, e a Guerrilla Games transformou-se para nos dar Horizon: Zero Dawn, o novo exclusivo de peso da PlayStation que engloba uma campanha de marketing tão exaustiva como aconteceu com Uncharted 4: O Fim de Um Ladrão.

É a primeira vez que este estúdio sediado em Amesterdão, estabelece novos padrões para nos dar algo para além de um novo shooter, deixando o desenvolvimento de níveis reservados a uma área específica e a objetivos genéricos para nos entregar um mundo aberto com estilo de RPG e visão na terceira pessoa. Isto de facto, após o trailer durante a E3 2015, foi criada uma imagem de que seria uma jogo a não perder, embora se tivesse dúvidas no desenvolvimento por parte de um estúdio habituado a Killzone.

Foi um erro pensar assim… e o magnetismo inicial que se apoderou de nós marcou a estreia de mais uma série que tão cedo não ficará por aqui e nos envolve numa obra virtual compulsiva e criativamente ambiciosa.

Horizon: Zero Dawn surge num tempo distante, mais de mil anos do presente, num período que não é futurista, mas sim uma alternativa em que a Natureza e as máquinas se aglomeram e nos deixam extraordinariamente parados a olhar o ecrã do jogo, divagando pelos cenários cheios de cor e movimento.
O ser humano não é o “rei” daquelas terras, mas sim criaturas robóticas que vagueiam, onde umas são mais simpáticas que outras…

O nascer de um novo ícone!
O que aconteceu para as grandes cidades ficarem assim? De onde vieram estes seres robóticos? Tribos?
Estas serão algumas perguntas retóricas que fazemos a nós próprios a iniciar esta aventura, dai sermos levados á apresentação de uma nova personagem feminina, um novo ícone, Aloy, uma rapariga que foi expulsa da tribo Noras logo á nascença.
Desde cedo começamos a perceber que Aloy é impulsiva, rebelde e céptico, tentando encontrar o seu lugar á medida que cresce e também das respostas para aquele Mundo. É protegida por Rost que é um guerreiro exilado por iniciativa própria. Será Rost que ensinará a Aloy os perigos e a estar sempre atenta ás redondezas, o ambiente esconde sempre uma surpresa e a nossa aventureira não é muito de permanecer quieta. Após alguns episódios na sua infância, torna-se uma caçadora furtiva com grande capacidade de analisar o terreno na busca da melhor estratégia para abordar um inimigo ou procurar recursos que são, durante todo o jogo, um dos objetivos principais do jogador. Tudo isso é possível e fica um nada mais facilitado com um dispositivo que Aloy encontra enquanto criança, Focus. Este permite analisar e dar conhecimento dos adversários, das armas destes assim como das suas fragilidades e como podem ser atacados, descobrir materiais raros e percorrer o mapa na procura por materiais e matérias primas necessárias para evoluir e melhorar as capacidades de Aloy.

Rost... a única figura paterna que Aloy conheceu!

É o próprio jogador que se coloca na pele de Aloy, tudo o que ela vai aprendendo, o jogador aprende, através das informações obtidas através de flashbacks até ao que vamos descobrindo.

As questões iniciais e o surgimento das máquinas e o seu relacionamento com o fim da civilização é uma missão a longo prazo que iremos encarar com um gosto muito especial, que nos envolve e nos deixa a salivar pela próxima pista.
A feição de Aloy está muito mais trabalhada que as restantes personagens.

Mais uma mulher a integrar a família PlayStation!

Tudo na escala de uma produção cinematográfica, esta aventura é feita com um grau de complexidade mas que o jogador entenderá de forma muito simples na forma como vai ligando cada aresta a pontos que formam o enredo. Um misticismo é criado na nossa imaginação de como seria o Mundo antigamente e que todo o vislumbre foi destruído por um motivo egoísta. São peças de um monopólio que nos leva do fantástico ao transtorno, do furioso ao melancólico, mas resume-se tudo a um grau de expressionismo.

Durante o progresso, Aloy vai ser atacada e recebida por outras tribos, onde aprende mais um pouco da sua cultura e nos são apresentados novos personagens, todos com comportamentos distintos, assim como novos atributos e arsenal.

Um Mundo Aberto!
Foi complicado encarar o desafio por parte da Guerrilla Games, mas conseguiram trazer-nos a acção em espaços vastos através de um novo motor de jogo, o Decima.
Com esse esforço, o jogador consegue ver uma grande área de terreno e toda a vegetação que se mexe com um vento ou passagem de animais ou inimigos. Que deixa a sua marca e permite esconder Aloy de perigos ou confrontos desnecessários.
São animais mecanizados e de carne e osso que percorrem aquelas zonas de um mapa distinto e variado sempre com muita agilidade no sistema de animações.
Á excepção de algumas partes metálicas ou de pedra mais dura, tudo está coberto pela Natureza e no topo da cadeia alimentar os animais robóticos têm a sua posição bem definida.

Máquinas e tribos, sobrevivem numa constante quem caça quem...

Durante o avançar no jogo, vamos poder recolher objectos como gravações áudio que nos possibilitam ir ponderando sobre como tudo chegou a este estado corrente. O Porquê das máquinas, e todo um diálogo através de episódios cinematográficos ou de diálogos com outras personagens.
Estamos perante um complemento do que será a nossa missão.

É um mundo que enaltece uma oposição de tempos, pois por um lado temos máquinas como animais mas munidas de muitas maneiras de causar danos mortais, e temos os humanos que regressam atrás na sua evolução e percorrem aqui e ali para encontrar recursos e fabricar armas e comida, roupas e estruturas. Um contraste que é bem aceite pelo jogador já que após algum tempo de habituação vamos poder usufruir dessas diferenças em cenários grandiosos e diversificados.

O mapa de Horizon: Zero Dawn é enorme, mas não é por isso que o nosso sentido de aventura se perde. Nele temos várias áreas desde tundra, florestas, montanhas e desertos, em que o próprio clima pode mudar a qualquer instante, um clima dinâmico que nele podem surgir tempestades, ou nevoeiro denso. O mapa reage, nós reagimos e todas as criaturas são afectadas, dando vantagem a umas e restringindo outras.
Certas circunstâncias parece uma epidemia de vegetação que nos lembramos de The Last Of Us.
Um mimo para os olhos e para cativar o jogador.

É importante caçar estes seres robóticos para adquirir recursos!

Em diversas áreas vamos ter missões variadas, desde expulsar tribos rivais a combater máquinas possuídas. Zonas de desafio e outras de exploração.
Existe também a opção de fazer a viagem rápida que nos permite transportar Aloy para zonas já exploradas como cidades ou pequenos acampamentos identificados com uma fogueira.

Cada área terá os seus próprios desafios e adversários. O modo como os encaramos torna-se um atributo do jogo que deixa o jogador decidir o que fazer, já que mundo aberto significa também que estamos livres de fazer algumas suposições.

Movimentos certos!
Aloy tem capacidade para trepar, correr, saltar, esquivar-se e todos os seus movimentos são representados de uma maneira que parece mesmo humana, sobressaindo a sua capacidade de trepar para estruturas em movimento, ou deparar-se com uma mudança radical no clima. A forma como luta contra máquinas e contra outros humanos também varia. Aliás conseguimos fazer certos movimentos com alguns adversários que só com os mesmos é que nos apercebemos…

Esta espécie de caranguejo, revela-se um perigo do nada!

No entanto o jogo apresenta algumas falhas ou falta de optimização ao escalar, quase que percebemos que o jogo é apenas bom no solo? Quando se eleva o terreno, quando estamos numa posição mais vertical temos alguma quebra de jogabilidade. Nada de especial, mas nota-se um pouco e pode quebrar o ritmo do jogo, já que trepar e escalar serão das partes mais calmas durante o gameplay.

Os Dinobots
Fazendo lembrar animais robotizados, estas máquinas são a nossa grande dor de cabeça do jogo. Cada adversário mais agressivo é enorme, possui contra-ataques que deixam o jogador muitas vezes frustrado, mas é esse o principal desafio em Horizon: Zero Dawn, pensar uma estratégia e verificar os recursos disponíveis para atacar.

Do céu ao subsolo! São vários os inimigos robóticos que te irão querer cumprimentar...

Todas as máquinas estão presentes em todas as áreas do jogo, no entanto são posicionadas de forma a parecerem normais no ambiente. Por outras palavras digamos que máquinas que se assemelham a animais de pastagem, como os Galopantes, estão presentes em planícies para que possam… fugir a correr. Animais predadores estarão mais recatados e misturados com a vegetação densa e ambientes mais fechados. Águas paradas ou pouco movimentadas terão por lá os Tricandores, que são basicamente crocodilos, mas com uma investida rápida. Máquinas voadoras podem descer dos céus e agarrar uma presa abatida por nós ou atacar sem aviso prévio.
Temos vinte espécies de máquinas que variam de tamanho, de perigo de recompensas e são totalmente únicas na sua maneira de fugir de nós, ou de investirem numa batalha que elas podem vencer.
Aparecem do ar, no meio da vegetação, da água e até do chão e como nós, usam os cenários como arma, arremessando pedras ou destruindo estruturas.

É tão bom quanto BBC Vida Selvagem, e tão desafiador quanto uma fauna totalmente selvagem ao descoberto.

Elementos RPG
Este é um jogo com elementos de RPG, já que ao colectar variados recursos e visitando lugares do mapa, vamos obtendo as matérias primas para fabricar equipamento, vestuário e melhorar os mesmos.
As variações são bastante importantes e não se remetem apenas ao arco e flecha, ás cordas ou ás lanças. Tudo no jogo, como nas habilidades de Aloy merecem um destaque e um estudo por parte do jogador.
Existem vendedores no jogo que podem comprar ou vender materiais e nós adquirimos alguns dos principais arsenais e técnicas por lá, embora as consigamos melhorar por um caminho mais demorado, mas que nos poupa algum sarcasmo em gastar dinheiro á toa.

São muitas, as melhorias para armas e protagonista!

Todos os adversários nos dão problemas e Aloy é uma presa fácil no que toca a receber dano. Uma boa forma de orientar um próximo combate, será equipar a protagonista com um traje mais eficaz contra tal inimigo e essa informação ficamos a conhecer com a ajuda do dispositivo Focus que analisa as fraquezas das máquinas. Basicamente temos flechas de fogo, gelo e choque e esse gadget avisa quais as partes que levam mais dano ao usar cada tipo de flecha assim como os adversários.
Cada estratégia terá que ser diferente para os diferentes tipos de robô.
Todos o sistema de aumentar as capacidades de Aloy é alimentado por missões principais, secundárias, adversários complicados ou recursos capturados.

Melodias e conversas…
A banda sonora do jogo em si é fantástica e a sua aparição repentina, de temas mais intensos em iniciativa a combates. A exploração terá um nível mais baixo e mais pausado, mas não deixa de ser deliciosamente bom para o ouvido.

Quando a coisa aquece... o tema musical acelera! Isso é adrenalina!

O jogo também se encontra em português como é habitual em desenvolvimentos deste calibre e apenas falha na sincronização de algumas falas.
O som dos adversários robóticos e do ambiente está apetecível assim como fenomenais estão vários elementos do cenário como água ou basicamente um vento suave.
Na sua versão original nota-se o grande trabalho de Ashly Burch na interpretação de Aloy.

Vais participar nesta aventura?

Horizon: Zero Dawn é o exemplo de talento escondido no estúdio da Guerrilla Games que contribui para o catalogo da PlayStation em 2017 com uma nova abordagem de causar inveja aos jogos do tipo.
De um lado tempos graficamente uma aventura com cenários lindos e diversificados, que se aliam a máquinas futuristas numa civilização primitiva.
O jogo com HDR activado e jogado em 4K, numa PlayStation 4 PRO mostra um poder visual e fluidez inesquecível, e mesmo numa versão regular da consola da Sony, permanece fiel aos atributos e criticas.
Não esquecer o “Photo Mode” para perder mais algumas horas a admirar pormenores.
Consegue criar um novo personagem que é desde o inicio integrante na família PlayStation e torna-se robustamente uma forma de expressão no combate á ausência de personagens femininas.
Um universo bem construído, com excelentes mecânicas que apenas em momentos falham, no entanto não estragam a contextualização de tudo o que o jogo pretende oferecer.

A mudança conseguiu superar-se e com esta iniciativa em demonstrar o valor da equipa e da marca, Horizon: Zero Dawn estende uma nova abordagem ao género.

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